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domingo, 25 de outubro de 2026
Mercado Automotivo

Carros chineses já são 17,8% das vendas no Brasil, e a disputa agora é por fábrica

Os carros chineses no Brasil já respondem por quase 1 em cada 5 vendas. Entre janeiro e agosto de 2026, 17,8% dos 1.888.000 emplacamentos registrados pela Fenabrave vieram de montadoras chinesas. Na prática, são cerca de 336 mil veículos.

O número chama atenção, mas o movimento mais importante está por trás dele. A presença das marcas chinesas deixou de depender do navio que chega ao porto e passou a depender de fábrica rodando no Brasil.

Indicador (jan a ago/2026)Número
Emplacamentos totais no período1.888.000
Participação das marcas chinesas17,8%
Veículos de marcas chinesascerca de 336 mil
Marcas chinesas vendendo no país15
Concessionárias de marcas chinesas1.380
Fatia da rede nacional de concessionárias16,8%
Modelos chineses no top 10 geral de passeio (agosto)4
Modelos chineses no top 10 do varejo (agosto)5
Fonte: Fenabrave. Volume de veículos chineses calculado pela AutoInsight a partir da participação sobre o total.

Marcas chinesas: a rede de concessionárias cresceu junto

Já são 15 marcas chinesas oferecendo carro no país. Juntas, elas somam 1.380 concessionárias, o equivalente a 16,8% de toda a rede nacional.

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O detalhe que pesa mais é quem abriu essas lojas. A maioria veio de grupos que já vendiam marcas tradicionais, e não de investidores novos entrando no setor. São operações que conhecem giro de estoque, ticket médio e o cliente da própria praça. Quando esse tipo de grupo coloca dinheiro numa bandeira nova, é leitura de mercado, não aposta às cegas.

Para quem compra, isso mexe numa das dúvidas mais comuns sobre marcas recém-chegadas: onde fazer revisão e encontrar peça. Com a rede nas mãos de grupos já estabelecidos, boa parte do pós-venda nasce apoiada em estruturas que já funcionam.

Ranking de varejo: chineses ocupam as 4 primeiras posições

No ranking geral de carros de passeio de agosto, 4 dos 10 mais vendidos foram modelos chineses, ao lado de líderes de venda como Volkswagen Polo, Volkswagen Tera e Fiat Argo.

Quando o recorte é o varejo, a venda feita pela concessionária ao consumidor final, a presença é ainda maior. Os chineses ocupam 5 das 10 posições, incluindo as quatro primeiras.

Pos.ModeloVarejo (unidades)% das vendas do modelo feitas no varejo
1ºBYD Dolphin5.96488,5%
2ºBYD Dolphin Mini5.82070,1%
3ºGeely EX25.48894,6%
4ºGWM Haval H65.26681,9%
5ºVolkswagen Tera4.56044,1%
6ºBYD Song4.12161,3%
7ºChevrolet Tracker4.07776,5%
8ºHyundai Creta3.76351,2%
9ºChevrolet Onix3.55546,6%
10ºVolkswagen Polo3.53933,8%
Ranking de varejo de agosto de 2026. Modelos chineses em negrito. Fonte: Fenabrave.

A última coluna diz mais que a posição. O varejo é o canal em que o comprador, na maioria pessoa física, escolhe o carro e paga do próprio bolso. O outro canal é a venda direta, que reúne locadoras, frotistas, empresas e PcD, com negociação em volume.

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Os modelos chineses vendem quase tudo no varejo: 94,6% das vendas do Geely EX2 e 88,5% das do BYD Dolphin saíram desse canal. Nos modelos tradicionais a proporção é outra. O Polo fez só 33,8% das vendas no varejo e o Tera, 44,1%. O restante veio da venda direta.

Ou seja, os chineses chegaram ao topo justamente no canal em que o consumidor decide sozinho, sem contrato de frota puxando volume.

Imposto de importação de 35%: por que julho de 2026 mudou o jogo

Desde 1º de julho de 2026, o imposto de importação de carros elétricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais chegou ao teto de 35%. Foi o fim do cronograma de recomposição gradual que o governo federal iniciou em janeiro de 2024, depois de anos em que esses veículos entravam no país com isenção ou alíquota reduzida.

Até a virada, as alíquotas variavam por tecnologia: 25% para elétricos, 28% para híbridos plug-in e 30% para híbridos convencionais. Agora todos pagam o mesmo.

Para os carros chineses no Brasil, a conta mudou. Sem imposto baixo, o carro que chega de navio perde a vantagem de preço que abriu esse mercado. Para manter preço competitivo, a saída é produzir aqui.

BYD em Camaçari e GWM em Iracemápolis: da montagem à fábrica

A BYD abriu a fábrica de Camaçari (BA) no fim de 2025 montando carros a partir de kits importados, o regime SKD. De lá saem Dolphin Mini, King e Song Pro. O cronograma da marca previa para agosto de 2026 o início dos testes de estamparia, solda e pintura, as etapas que transformam uma linha de montagem em fábrica completa. A capacidade inicial é de 150 mil veículos por ano, com possibilidade de chegar a 300 mil numa segunda fase.

A GWM segue o mesmo caminho, com investimento de R$ 10 bilhões em dez anos no Brasil e a planta de Iracemápolis (SP) como base.

Quem compromete esse volume de dinheiro em estrutura fixa não está testando o mercado. Está se instalando.

O que muda para os carros chineses no Brasil daqui para frente

A chamada invasão chinesa já não é sobre navio chegando ao porto. É sobre fábrica rodando em solo brasileiro, rede de concessionárias montada por grupos experientes e modelos disputando o topo do ranking mês a mês.

Para o consumidor, a tendência é concorrência mais dura em preço e equipamento, principalmente nas categorias em que os chineses já estão entre os mais vendidos. Para as marcas tradicionais, a pressão agora vem de dentro do país.

Perguntas frequentes

Quantos carros chineses foram vendidos no Brasil em 2026?

De janeiro a agosto de 2026, as vendas de carros chineses no Brasil somaram cerca de 336 mil unidades, 17,8% dos 1.888.000 emplacamentos do período, segundo a Fenabrave.

Quantas marcas chinesas vendem carros no Brasil?

São 15 marcas chinesas, com 1.380 concessionárias no país, o que representa 16,8% da rede nacional.

Qual carro chinês liderou o varejo em agosto de 2026?

O BYD Dolphin, com 5.964 unidades vendidas no varejo. Na sequência vieram BYD Dolphin Mini, Geely EX2 e GWM Haval H6.

Por que montadoras chinesas estão abrindo fábrica no Brasil?

Porque o imposto de importação de elétricos e híbridos chegou a 35% em julho de 2026. Com o carro importado mais caro, produzir localmente virou o caminho para manter preço competitivo.

A AutoInsight acompanha os números dos carros chineses no Brasil e de todo o mercado automotivo todo mês, com base nos dados da Fenabrave e da Fenauto. Os resumos em carrossel saem no Instagram @autoinsightbr.

Fontes: Fenabrave (emplacamentos de janeiro a agosto de 2026 e ranking de varejo de agosto); governo federal, Gecex/Camex (cronograma do imposto de importação de eletrificados); BYD e GWM (planos industriais divulgados).

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