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domingo, 25 de outubro de 2026
Mercado Automotivo

Resumão do mercado automotivo: agosto de 2026

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O mês fechou com 263.054 veículos leves emplacados e 1,70 milhão de usados transferidos. Os dois mercados caíram no número cheio e subiram na média por dia útil. Abaixo está o ranking completo de novos, varejo, venda direta e usados, com a leitura que os números pedem. Para comparar, veja o resumão de julho de 2026.

Fontes: Fenabrave (Informativo de Emplacamentos, edição 284), Fenauto, Fipe, Banco Central, IBGE, Megadealer/Auto Avaliar

Agosto de 2026 em oito números

  • 263.054 automóveis e comerciais leves emplacados, alta de 22,67% sobre agosto de 2025 e queda de 0,99% sobre julho. Terceiro melhor agosto da história para esses dois segmentos.
  • Agosto teve 21 dias úteis contra 23 em julho. Pela média diária, o mercado de leves acelerou 8,4%.
  • Carro mais vendido do mês no geral: Fiat Strada, com 13.798 unidades.
  • Automóvel de passeio mais vendido: Volkswagen Polo, com 10.472 unidades.
  • Mais vendido no varejo: BYD Dolphin, com 5.964 unidades. Segundo mês seguido de pódio de varejo inteiramente elétrico.
  • Mais vendido na venda direta: Volkswagen Polo, com 6.933 unidades. A venda direta subiu para 47% do mercado.
  • Usados e seminovos: 1.699.519 transferências, queda de 3,1% sobre julho e alta de 1,5% na média por dia útil. No ano, o seminovo de até três anos cresce 13,5%, mais que o dobro do mercado.
  • Usado mais negociado: Volkswagen Gol, com 67.461 unidades. O modelo está fora de linha desde 2023.

Veículos novos

Agosto fechou com 263.054 automóveis e comerciais leves emplacados, segundo a Fenabrave. É queda de 0,99% sobre julho e alta de 22,67% na comparação anual, o terceiro melhor agosto da série histórica para o segmento. Considerando todos os segmentos, incluindo caminhões, ônibus, motos e implementos, foram 503.768 unidades, 0,16% abaixo de julho e 16,87% acima de agosto de 2025.

A queda mensal é de calendário. Agosto teve 21 dias úteis contra 23 em julho. Pela média diária, o mercado de leves rodou a 12.526 unidades por dia útil, alta de 8,4% sobre julho. Quem olhar só o número cheio vai ler queda onde houve aceleração.

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A composição inverteu a de julho. Os automóveis somaram 212.876 unidades, alta de 0,09% sobre as 212.678 de julho. Os comerciais leves caíram para 50.178, recuo de 5,33% sobre as 53.001 unidades do mês anterior. Em julho, o crescimento tinha vindo inteiramente de picape e furgão. Em agosto, a picape devolveu parte do avanço: as pequenas caíram 5,7% e as grandes, 5,1%. Só o furgão continuou subindo, com alta de 2,6%.

No acumulado do ano são 1.887.750 automóveis e comerciais leves, alta de 19,78% sobre as 1.575.985 unidades de 2025. Os automóveis crescem 22,67% no ano e os comerciais leves, 9,41%. Juntos, os dois segmentos já respondem por 50,7% de tudo que é emplacado no país, contra 48,8% um ano atrás.

Vale olhar a motorização. Os motores até 1.0 somaram 130.479 unidades em agosto, quase metade do mercado de leves, com alta de 2,93% sobre julho. Os motores acima de 2.0 caíram 6,12%. O consumidor não parou de comprar, ele desceu de faixa.

A Fenabrave manteve a projeção divulgada em julho: 2.773.814 emplacamentos de automóveis e comerciais leves em 2026, expansão de 8,8% sobre as 2.549.462 unidades de 2025. A entidade cita o Programa Carro Sustentável, as promoções das montadoras e a concorrência entre marcas como os fatores por trás do resultado acima do projetado.

Indicador (veículos leves) Agosto/2026
Emplacamentos totais 263.054
Automóveis 212.876
Comerciais leves 50.178
Variação sobre agosto/2025 +22,67%
Variação sobre julho/2026 −0,99%
Automóveis vs. julho +0,09%
Comerciais leves vs. julho −5,33%
Dias úteis 21 (contra 23 em julho)
Média diária 12.526 (+8,4%)
Participação do varejo 53%
Participação da venda direta 47%
Eletrificados no mês 24,3%
Acumulado de janeiro a agosto 1.887.750 (+19,78%)

Os 20 carros mais vendidos em agosto de 2026

Este é o ranking completo de veículos leves, com automóveis e comerciais leves na mesma tabela. Por isso a Strada aparece na liderança: ela é o veículo mais emplacado do Brasil, independentemente de categoria.

Pos. Modelo Segmento Unidades
1º Fiat Strada Picape compacta 13.798
2º Volkswagen Polo Hatch compacto 10.472
3º Volkswagen Tera SUV de entrada 10.338
4º Fiat Argo Hatch compacto 8.811
5º BYD Dolphin Mini Hatch elétrico 8.299
6º Chevrolet Onix Hatch compacto 7.635
7º Hyundai Creta SUV compacto 7.354
8º Volkswagen T-Cross SUV compacto 6.815
9º BYD Dolphin Hatch elétrico 6.740
10º BYD Song SUV médio eletrificado 6.724
11º GWM Haval H6 SUV médio eletrificado 6.433
12º Geely EX2 Hatch elétrico 5.804
13º Fiat Toro Picape média 5.707
14º Fiat Mobi Hatch de entrada 5.587
15º Chevrolet Tracker SUV compacto 5.326
16º Hyundai HB20 Hatch compacto 5.309
17º Volkswagen Saveiro Picape compacta 5.295
18º Fiat Fastback SUV cupê 5.133
19º Chevrolet Onix Plus Sedã compacto 4.944
20º Fiat Pulse SUV de entrada 4.775

A Strada segue isolada, mas perdeu volume: 13.798 unidades contra 14.910 em julho, queda de 7,46%. A vantagem sobre o segundo colocado encolheu de 4,6 mil para 3,3 mil unidades.

O destaque do mês é a Hyundai. O HB20 saltou de 3.037 para 5.309 unidades, alta de 74,8% sobre julho, e voltou ao top 20. O Creta subiu de 5.879 para 7.354, avanço de 25,1%, e entrou no top 10. No outro lado, o Onix caiu 18,0% e o Jaecoo 7 recuou 25,3%.

Cinco dos doze modelos mais emplacados do mês são elétricos ou híbridos: Dolphin Mini, Dolphin, Song, Haval H6 e EX2. Entre os dez primeiros, são três.

Automóveis de passeio, sem picapes

Retirando os comerciais leves (Strada, Toro e Saveiro), a tabela de carros de passeio fica assim:

Pos. Modelo Unidades
1º Volkswagen Polo 10.472
2º Volkswagen Tera 10.338
3º Fiat Argo 8.811
4º BYD Dolphin Mini 8.299
5º Chevrolet Onix 7.635
6º Hyundai Creta 7.354
7º Volkswagen T-Cross 6.815
8º BYD Dolphin 6.740
9º BYD Song 6.724
10º GWM Haval H6 6.433

Os SUVs responderam por 58,16% dos automóveis emplacados em agosto. No acumulado do ano, o segmento está em 58,13%, contra 53,99% em 2025. Os hatches pequenos vêm em segundo, com 28,60% do mês. Somados, os dois formatos são quase 87% do mercado de automóveis.

Carros mais vendidos no varejo em agosto de 2026

No varejo, a nota fiscal sai da concessionária para o consumidor final. É o número que mede demanda de mercado sem a interferência de frota.

Pos. Modelo Varejo % varejo no total do modelo
1º BYD Dolphin 5.964 88,5%
2º BYD Dolphin Mini 5.820 70,1%
3º Geely EX2 5.488 94,6%
4º GWM Haval H6 5.266 81,9%
5º Volkswagen Tera 4.560 44,1%
6º BYD Song 4.121 61,3%
7º Chevrolet Tracker 4.077 76,5%
8º Hyundai Creta 3.763 51,2%
9º Chevrolet Onix 3.555 46,6%
10º Volkswagen Polo 3.539 33,8%

Nos comerciais leves, o varejo teve Fiat Strada (5.023), Fiat Toro (3.088) e Ford Ranger (2.147) no pódio, com Toyota Hilux (1.551) e Mitsubishi Triton (949) fechando o top 5.

Entre as marcas, a BYD liderou o varejo com 12,85% de participação, à frente de Fiat (11,30%), Volkswagen (11,21%) e Chevrolet (9,26%). É o segundo mês consecutivo de liderança da BYD no canal.

Se a conta for só de automóveis, a distância aumenta: BYD 14,85%, Volkswagen 12,82%, Chevrolet 9,69%, Toyota 6,53%, GWM 6,49% e só então a Fiat, com 6,00%. A líder absoluta do mercado é a sexta marca do varejo de automóveis.

O contraste mais duro está na Volkswagen. Líder do ranking geral entre os automóveis, ela aparece em décimo no varejo com o Polo, que vendeu apenas 33,8% do volume em concessionária. O Tera, lançamento da marca, ficou em quinto com 44,1%. A Saveiro vendeu 3,3% do volume no varejo.

Onix Plus, Mobi, Argo e HB20, todos no top 20 geral, ficam da 20ª posição do varejo para trás ou nem entram nessa lista. O contraste entre as duas tabelas segue sendo o dado mais aproveitável do mês.

Carros mais vendidos na venda direta em agosto de 2026

Na venda direta, a montadora emite a nota fiscal para locadoras, frotistas, empresas, produtores rurais, taxistas e compradores PcD. O carro é zero-quilômetro, mas não passou pelo funil de varejo da loja.

Pos. Automóveis Unidades
1º Volkswagen Polo 6.933
2º Fiat Argo 6.721
3º Volkswagen Tera 5.778
4º Fiat Mobi 5.509
5º Hyundai HB20 4.131
6º Volkswagen T-Cross 4.105
7º Chevrolet Onix 4.080
8º Chevrolet Onix Plus 3.773
9º Hyundai Creta 3.591
10º Fiat Pulse 2.972
Pos. Comerciais leves Unidades
1º Fiat Strada 8.775
2º Volkswagen Saveiro 5.119
3º Fiat Toro 2.619
4º Chevrolet S10 2.007
5º Toyota Hilux 1.920
6º Ram Rampage 1.814
7º Fiat Fiorino 1.666

Entre as marcas, a Fiat liderou a venda direta com 26,47% de participação, seguida por Volkswagen (20,86%), Chevrolet (11,80%) e Hyundai (8,16%). A BYD, primeira colocada no varejo, aparece em quinto no canal direto, com 5,30%. Nos comerciais leves isoladamente, a Fiat responde por 43,47% de tudo que sai por venda direta.

Mix varejo e venda direta

O mesmo mercado, olhado por dois ângulos, produz rankings quase opostos.

Modelo Total % venda direta % varejo
Fiat Mobi 5.587 98,6% 1,4%
Volkswagen Saveiro 5.295 96,7% 3,3%
Volkswagen Virtus 2.864 85,4% 14,6%
Fiat Cronos 2.066 81,7% 18,3%
Hyundai HB20 5.309 77,8% 22,2%
Fiat Argo 8.811 76,3% 23,7%
Volkswagen Polo 10.472 66,2% 33,8%
Fiat Strada 13.798 63,6% 36,4%
Volkswagen T-Cross 6.815 60,2% 39,8%
Volkswagen Tera 10.338 55,9% 44,1%
Chevrolet Onix 7.635 53,4% 46,6%
Hyundai Creta 7.354 48,8% 51,2%
BYD Song 6.724 38,7% 61,3%
BYD Dolphin Mini 8.299 29,9% 70,1%
Chevrolet Tracker 5.326 23,5% 76,5%
GWM Haval H6 6.433 18,1% 81,9%
BYD Dolphin 6.740 11,5% 88,5%
Geely EX2 5.804 5,4% 94,6%

Percentuais calculados sobre os rankings de varejo e venda direta publicados pela Fenabrave para agosto de 2026.

Por segmento, a Fenabrave registrou 43,4% de venda direta nos automóveis e 62,2% nos comerciais leves. Na soma dos dois, 47% do mercado saiu por canal direto.

As marcas tradicionais sustentam volume por canal corporativo. As marcas chinesas sustentam volume por demanda de consumidor final. São dois modelos de negócio dentro da mesma tabela de emplacamentos, e a distância entre eles aumentou em agosto.

Para quem trabalha com seminovos, a diferença tem efeito prático. Cada unidade vendida na venda direta volta ao mercado em 12 a 24 meses, com quilometragem alta, cor neutra e versão de entrada. O Mobi, com 98,6%, e a Saveiro, com 96,7%, definem hoje o estoque de usados de 2027 e 2028.

Marcas mais vendidas em agosto de 2026

Pos. Marca Emplacamentos Participação
1º Fiat 48.465 18,42%
2º Volkswagen 41.404 15,74%
3º GM (Chevrolet) 27.500 10,45%
4º BYD 24.467 9,30%
5º Hyundai 17.017 6,47%
6º Toyota 13.559 5,15%
7º Renault 10.016 3,81%
8º GWM 9.825 3,73%
9º Honda 9.677 3,68%
10º Jeep 9.026 3,43%
11º Geely 7.524 2,86%
12º Nissan 6.429 2,44%

Só entre automóveis, a ordem muda: VW lidera com 16,73%, seguida por Fiat (12,39%), BYD (11,47%) e GM (10,86%). Nos comerciais leves, a Fiat tem 44,02%, quase quatro vezes a participação da segunda colocada.

A BYD ficou em quarto com 9,30% de participação e chegou perto da GM, que fechou o mês com 10,45%. A marca chinesa lidera o varejo e ocupa a quinta posição na venda direta, o que explica a distância entre o ranking geral e o de concessionária. A Geely, com 7.524 unidades, encosta no top 10.

Eletrificados

O segmento somou 64.055 unidades em agosto de 2026, alta de 2,85% sobre as 62.283 de julho, o equivalente a 24,3% de tudo que foi emplacado no mês. Foram 27.155 elétricos puros, com alta de 5,36%, e 36.900 híbridos, com alta de 1,07%. Contra agosto de 2025, quando o segmento somou 25.270 unidades, o crescimento é de 153,48%.

Nos elétricos, a BYD lidera com 16.078 unidades e 59,2% de participação, seguida por Geely (6.178 e 22,7%), GAC (1.364 e 5,02%) e GWM (1.286 e 4,7%). Nos híbridos, a BYD também aparece à frente, com 8.389 unidades e 22,7%, seguida por GWM (6.944 e 18,8%), Omoda & Jaecoo (5.787 e 15,6%), Fiat (3.536 e 9,5%) e Toyota (2.831 e 7,6%).

No acumulado do ano são 371.231 eletrificados, contra 164.399 em 2025, alta de 125,81%. São 227.856 híbridos, com avanço de 91,00%, e 143.375 elétricos, com avanço de 217,90%. O segmento já representa 19,7% de tudo que foi emplacado de automóveis e comerciais leves no ano.


Usados e seminovos

Segundo a Fenauto, 1.699.519 veículos trocaram de dono em agosto de 2026, somando automóveis, comerciais leves, motocicletas e pesados. É queda nominal de 3,1% sobre julho, quando foram 1.754.785 unidades.

Aqui vale a mesma correção de calendário aplicada aos novos, na direção contrária. Agosto teve menos dias úteis, e a média diária subiu 1,5%, consolidando o mercado acima de 80 mil transferências por dia útil. Em julho, o número cheio exagerou o crescimento. Em agosto, exagera a queda.

No acumulado do ano são 12.532.488 transferências, contra 11.781.360 em 2025, crescimento de 6,4% em volume e de 7,7% na média por dia útil. Todos os segmentos acompanhados pela entidade avançam no ano: automóveis, comerciais leves, comerciais pesados e motos.

O destaque é o seminovo de zero a três anos de uso, que cresce 13,5% no ano, mais que o dobro do avanço do mercado total. É o único recorte que a Fenauto abre separadamente, e ele aponta para onde o dinheiro está indo.

A entidade atribui a oscilação de agosto ao momento político e mantém a projeção de recorde. Para Everton Fernandes, presidente da Fenauto, a queda de 3,1% entre julho e agosto não indica retração preocupante, e sim um movimento normal com o país cada vez mais próximo do pleito de outubro. A entidade ainda projeta um excelente resultado até o fim do ano, com possibilidade de novo recorde de vendas.

Indicador (usados e seminovos) Agosto/2026
Transferências no mês 1.699.519
Nominal, contra julho/2026 −3,1%
Por dia útil, contra julho +1,5%
Média diária acima de 80 mil
Acumulado de janeiro a agosto 12.532.488 (+6,4%)
Mesmo período de 2025 11.781.360
Acumulado por dia útil +7,7%
Seminovos de 0 a 3 anos, no ano +13,5%
Projeção Fenauto para 2026 novo recorde histórico

Os modelos usados mais procurados em agosto de 2026

A Fenauto divulga o ranking por segmento. São quatro listas, e cada uma conta uma parte diferente do mercado.

Segmento 1º 2º 3º
Automóveis VW Gol (67.461) Chevrolet Onix (41.591) Hyundai HB20 (40.404)
Comerciais leves Fiat Strada (41.851) VW Saveiro (24.652) Toyota Hilux (20.440)
Motos Honda CG150 (89.790) Honda Biz (40.002) Honda NXR150 (30.192)
Comerciais pesados Volvo FH (3.039) Ford Cargo (2.465) Mercedes-Benz Atego (1.584)

O Gol abriu quase 26 mil unidades de vantagem sobre o segundo colocado. É um carro descontinuado em 2023 que, em um único mês, movimenta mais negócios do que a maioria das marcas emplaca de zero.

Strada e Saveiro somaram 66.503 transferências, quase o volume do Gol sozinho. A picape compacta segue com o maior giro entre os comerciais leves usados, e a Strada lidera o segmento com folga de 17 mil unidades sobre a Saveiro.

Vale olhar a coluna das motos. A CG150 sozinha transferiu 89.790 unidades, mais que o Gol. Loja de cidade média que trata moto como negócio secundário está ignorando o item de maior giro do mercado brasileiro de usados.

Congresso Fenauto

O 15º Congresso Fenauto acontece entre 11 e 13 de novembro, no Expo Center Norte, em São Paulo. A entidade informa que a procura por expositores superou as expectativas e que os espaços estão praticamente esgotados, o que ela usa como leitura de confiança do setor para a reta final de 2026.


Agosto de 2026 contra agosto de 2025

A Fenabrave compara mês contra mês. A Fenauto divulga a comparação anual no acumulado. As duas bases ficam assim:

Segmento 2025 2026 Variação
Novos, agosto (autos + com. leves) 214.439 263.054 +22,67%
Usados, janeiro a agosto 11.781.360 12.532.488 +6,4%
Usados, janeiro a agosto, dia útil – – +7,7%

O zero-quilômetro cresce mais de 20% no ano a ano porque partiu de uma base fraca, ganhou incentivo fiscal e recebeu uma onda de lançamentos chineses. O usado cresce 6,4% porque já opera perto do teto, com 12,5 milhões de unidades em oito meses. Corrigido por dia útil, sobe para 7,7%.

Os dois mercados crescem. Um cresce rápido porque estava pequeno, o outro cresce devagar porque já é enorme. Comparar os percentuais lado a lado sem essa ressalva leva a conclusão errada sobre para onde o consumidor está indo.

Nota: os volumes de novos são os da Fenabrave, edição 284. Os volumes de usados são os divulgados pela Fenauto.

Preço e crédito

No crédito, a Selic ficou em 14,00% ao ano durante todo o mês de agosto, depois do corte de 0,25 ponto em 5 de agosto. A taxa começou 2026 em 15,00%. O Copom se reúne em 15 e 16 de setembro, e o mercado trabalha com novo corte de 0,25 ponto, levando a Selic a 13,75%, patamar que o Boletim Focus projeta para o fim do ano.

O IPCA de agosto registrou deflação de 0,32%, a mais intensa em quatro anos, puxada por energia elétrica. O acumulado de doze meses caiu de 4,44% para 4,22%, dentro do teto da meta pelo segundo mês seguido. No ano, a inflação soma 3,11%.

A Fenabrave também cita o mercado de trabalho como sustentação da demanda: a taxa de desemprego no trimestre encerrado em julho ficou em 5,3%, a menor da série histórica para o período.

Na prática, a queda de juros ainda não muda a parcela de forma sensível. O que muda é o discurso. O consumidor voltou a ouvir que o financiamento está barateando, e essa percepção chega antes do efeito real no bolso.

Leitura para o lojista multimarcas

O número que você vai ver na imprensa está errado nos dois mercados

Agosto teve dois dias úteis a menos que julho. Os novos caíram 0,99% no número cheio e subiram 8,4% por dia útil. Os usados caíram 3,1% no número cheio e subiram 1,5% por dia útil. Quem fizer relatório de resultado com o número cheio vai explicar uma queda que não aconteceu, depois de ter comemorado em julho uma alta que também não tinha acontecido.

O seminovo cresce mais que o dobro do mercado

O mercado de usados avança 6,4% no ano. O seminovo de zero a três anos avança 13,5%. É o único recorte que a Fenauto separa, e a distância entre os dois números diz onde está o movimento. Quem trabalha só com carro de dez anos está no segmento que puxa o mercado para baixo na média. O carro de vitrine, financiável e com garantia de fábrica remanescente, é o que está acelerando.

A eleição já está no preço da sua compra

A Fenauto atribuiu a queda de agosto à proximidade do pleito de outubro. Historicamente, o segundo semestre eleitoral segura consumo e trava decisão de compra de ticket alto. Quem comprar estoque em setembro precisa considerar que pode vender em outubro e novembro, dois meses de tráfego menor. Comprar com mais desconto agora não é oportunismo, é proteção de margem.

O varejo hoje é chinês e a frota é brasileira

O pódio de varejo em automóveis foi Dolphin, Dolphin Mini e EX2 pelo segundo mês seguido. A BYD lidera o varejo com 12,85%. Do outro lado, Mobi (98,6%), Saveiro (96,7%) e Virtus (85,4%) saem quase inteiros por venda direta. São dois estoques futuros diferentes chegando na sua loja: o de locadora, em dois anos, e o de consumidor final elétrico, em 2029.

Hyundai voltou e isso muda sua tabela de avaliação

HB20 com alta de 74,8% e Creta com 25,1% sobre julho significam mais unidades novas na rua e mais troca entrando. O HB20 já é o terceiro usado mais negociado do país, com 40.404 transferências no mês. Volume novo de hoje é oferta de usado de amanhã, e oferta maior é preço de compra melhor para quem estiver com capital de giro pronto.

O comercial leve devolveu o avanço de julho

Os comerciais leves caíram 5,33% sobre julho, depois de subirem 11,43% no mês anterior. A picape pequena recuou 5,7% e a grande, 5,1%. Nos usados, Strada e Saveiro seguem com o maior giro do mercado. A demanda de trabalho não sumiu, mas o pico de julho foi pontual. Planejar compra de picape com base no número de julho é superestimar a curva.

Perguntas frequentes

Qual foi o carro mais vendido do Brasil em agosto de 2026?

A Fiat Strada, com 13.798 emplacamentos, considerando todos os veículos leves. Entre os automóveis de passeio, o líder foi o Volkswagen Polo, com 10.472 unidades.

Qual foi o carro mais vendido no varejo em agosto de 2026?

O BYD Dolphin, com 5.964 unidades vendidas ao consumidor final. BYD Dolphin Mini (5.820) e Geely EX2 (5.488) completaram um pódio inteiramente elétrico, o segundo seguido.

Qual a diferença entre varejo e venda direta?

No varejo, a concessionária emite a nota fiscal para o consumidor final. Na venda direta, a montadora emite a nota diretamente para locadoras, frotistas, empresas, produtores rurais, taxistas ou compradores PcD.

Quantos carros foram emplacados no Brasil em agosto de 2026?

Foram 263.054 automóveis e comerciais leves, sendo 212.876 carros de passeio e 50.178 comerciais leves, segundo a Fenabrave. Considerando todos os segmentos, incluindo caminhões, ônibus e motos, foram 503.768 unidades.

O mercado de carros novos caiu em agosto de 2026?

No número cheio, sim: queda de 0,99% sobre julho. Mas agosto teve 21 dias úteis contra 23 em julho. Pela média diária, o mercado cresceu 8,4% sobre julho.

Qual foi o SUV mais vendido em agosto de 2026?

O Volkswagen Tera, com 10.338 unidades, à frente do Hyundai Creta (7.354) e do Volkswagen T-Cross (6.815).

Quantos carros usados foram vendidos em agosto de 2026?

1.699.519 veículos mudaram de proprietário, queda nominal de 3,1% sobre julho, segundo a Fenauto. Na média por dia útil, houve alta de 1,5%, com o mercado acima de 80 mil transferências diárias. No acumulado do ano são 12.532.488 unidades, alta de 6,4%.

Qual o carro usado mais vendido do Brasil?

O Volkswagen Gol, com 67.461 transferências em agosto de 2026, cerca de 26 mil unidades à frente do Chevrolet Onix, segundo colocado. O Gol está fora de linha desde 2023.

Qual a picape usada mais vendida do Brasil?

A Fiat Strada, com 41.851 transferências em agosto de 2026. A Volkswagen Saveiro veio em segundo, com 24.652, e a Toyota Hilux liderou entre as picapes médias, com 20.440.

Qual segmento de usados mais cresceu em 2026?

O seminovo de zero a três anos de uso, com alta de 13,5% de janeiro a agosto, mais que o dobro do crescimento do mercado total, que foi de 6,4%. Todos os segmentos acompanhados pela Fenauto avançaram no período.

Qual a moto usada mais vendida do Brasil?

A Honda CG150, com 89.790 transferências em agosto de 2026, à frente da Honda Biz (40.002) e da Honda NXR150 (30.192). A CG150 sozinha movimenta mais negócios que o Volkswagen Gol, líder entre os automóveis.

Qual a participação dos eletrificados no mercado brasileiro?

Em agosto de 2026, os eletrificados somaram 64.055 unidades e 24,3% dos emplacamentos de veículos leves, recorde histórico, sendo 27.155 elétricos puros e 36.900 híbridos.

Fontes e metodologia

  • Fenabrave. Informativo de Emplacamentos, edição 284, e release de 2 de setembro de 2026.
  • Fenauto. Press release “Mercado de veículos usados cresce 6,4% no ano”, dados consolidados de agosto de 2026, divulgado em 8 de setembro de 2026.
  • Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. Tabela Fipe.
  • Banco Central do Brasil. Copom e Boletim Focus.
  • IBGE. IPCA de agosto de 2026 e PNAD Contínua.
  • Megadealer e Auto Avaliar. Estudo de Performance de Veículos Usados.

Notas metodológicas: os dados de veículos novos consideram apenas automóveis e comerciais leves, exceto onde indicado. Caminhões, ônibus e motocicletas foram excluídos dos rankings. Todos os volumes, participações e variações de mercado novo vêm do Informativo de Emplacamentos da Fenabrave, edição 284, publicado em setembro de 2026. Os percentuais de mix por modelo foram calculados sobre os rankings de varejo e venda direta da mesma edição. Os dados de usados e seminovos vêm exclusivamente do press release da Fenauto de 8 de setembro de 2026, que divulga volume mensal, acumulado do ano, variação por dia útil e os três modelos mais procurados em cada um dos quatro segmentos. Recortes por faixa etária da frota e comparação anual mês contra mês não constam desse release e por isso não aparecem nesta edição. Edição de agosto de 2026.

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